domingo, 6 de dezembro de 2009

Um teatro da ação sincera


Um teatro da ação sincera demanda a compreensão dos fenômenos de interação entre os mundos do imaginário, da subjetividade e da fisicalidade. O ator psicorporifica informações objetivas o tempo todo. “Ser ou não ser, eis a questão”. Essas são as palavras. A informação objetiva com a qual lida o ator é clara e distinta, como bem quis Descartes. Esse é o imaterial que precisa orientar a corporificação cênica. Ocorre uma formação equivalente, não numa passagem entre os mundos simbólico e físico. O mesmo ocorre na aplicação de conhecimentos objetivos da biologia do movimento, da cinesiologia ou biomecânica. Diante de uma informação precisa e objetiva, como por exemplo, para correr melhor você precisa apoiar o calcanhar no chão imediatamente antes do resto do pé. Todo um processo de subjetivação deverá acontecer até que seja modificada na natureza da sua pessoa, fazendo com que essa formação (calcanhar antes) aconteça não mais orientada pela informação objetiva, mas como resultado do processo subjetivo padrão de corrida modificado por conta do treinamento. O sujeito ator é constantemente transformado (resubjetivado) em processos orientados por informação objetiva. Esse teatro que demanda sinceridade na execução das ações consiste numa pesquisa sistemática da própria natureza do ator e na possibilidade e interesse na sua modificação.

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