sábado, 5 de dezembro de 2009

Animalidade e subjetividade: Ser humano é ser biológico.

Uma abordagem filosófica do mundo biológico pode entender o fenômeno da vida como um constante empreendimento de esforços físicos para satisfação das necessidades vitais dos organismos. Por estarem todas imersas no mesmo meio ambiente, as diversas formas de vida competem pelos recursos disponíveis e constroem assim, a rede de conflitos que estrutura a natureza das relações entre os diferentes espécimes e espécies. O ser vivo é então percebido pela nossa subjetividade como algo diferente do ser inanimado. De um lado temos o “objeto” que nada sente e nada pode fazer para alterar seus estados e de outro, os “seres vivos” que podem interferir no meio ambiente e em suas próprias formações, de modo a conservá-las.

No que diz respeito ao “ser humano”, muitas são as especulações sobre as particularidades dessa forma especial de vida. É recorrente e popular a noção de “animal racional” para explicar essa diferença fundamental. De fato, biologicamente, a principal diferença fisiológica entre o cérebro da mulher e de outros grandes primatas está justamente na presença de uma função especial: a objetivação. Essa condição especial determina a situação do homo sapiens desde que o desenvolvimento dessa região do cérebro lhe conferiu a capacidade de raciocínio e inteligibilidade. Foi quando, para muitos, ocorreu "a queda" ou "a expulsão do paraíso". O argumento é de que nesse momento o ser humano desENVOLVEU-se da natureza, desligando-se dela pelo processo da objetivação consciência. Nesse momento, parte do sujeito animal passa a ser constituído de uma imaterialidade básica: a primeira objetivação, o primeiro nome: “isso sou eu”.

A partir dessa conquista, surge o fenômeno da subjetividade no qual os “seres vivos humanos” irão observar e analisar o mundo para entendê-lo e nele interferir. A conduta desses animais especiais não mais seria ditada unicamente pela intuição como acontece nos demais. Cada vez mais a orientação para as ações humanas passou a ser estruturada a partir da investigação das possibilidades de intervenção voluntária no meio natural. Armado do recurso do planejamento, os seres humanos puderam ultrapassar o limitado campo das ferramentas simples com as quais há muito tempo interferia positivamente em seu mundo. Nesses primórdios a linguagem abstrata surge revolucionando as formas de comunicação entre os indivíduos conscientes. Essa novo “apêndice mental” é incorporado ao arsenal utilizado na luta pela sobrevivência e aumenta as suas chances da mulher e do homem no hostil mundo selvagem. É na Era do Gelo que a espécie humana que surge a linguagem abstrata e a informatização em objetivações das diferentes formas colorais do gelo foi apenas uma das diversas tarefas de objetivação.

A diferença crucial dessa nova modalidade de linguagem está no fato de que ela não apenas serve para comunicar, mas também para conceber. Quando testemunhamos a comunicação no mundo animal, percebemos que a linguagem corporal concretiza trânsitos de informações como “eu vou te pegar” ou “cuidado comigo” ou ainda “pode se aproximar sem medo”. Essa linguagem é funcional e imediata, dialogando seres em suas ações no mundo natural. Já na linguagem abstrata há uma independência da realidade concreta na qual podemos construir inclusive o que não existe.

Nenhum comentário:

Postar um comentário