Teatralidade é a ação de algo registrar a própria presença e a de outros e exercer uma adequação nas formações físicas, químicas, biológicas e ou culturais que presenta na sua interação com o mundo. O comportamento desse algo pode ser considerado teatral na medida em que ele manipula elementos em seus próprios fatores internos e externos de modo que sua presença diante dos outros passe a ser determinada por essa transformação nas próprias formas e não apenas pelas condições iniciais do sistema. Nesse sentido, podemos ver teatralidade tanto no cotidiano do humano, quanto do camaleão e do pavão, presentes na natureza especialmente formados/constituídos para o olhar do outro. Podemos especular inclusive o comportamento teatral no mundo inanimado se concebermos ações e interações entre objetos nas quais existe modificação das suas formações feitas por ele mesmo e em resposta ao meio físico ou químico. Se uma partícula ou um elemento químico conseguir tal proeza, podemos pensar em teatralidade até mesmo num nível sub-biológico. Em nossa realidade humana, de fato, uma observação simples pode mostrar que modelamos nossas qualidades vocais, corporais e emocionais diante de cada diferente pessoa e situação. Muitas vezes percebemos esse “controle” da imagem gerada para o olhar do outro e identificamos essa situação como uma cena. O pejorativo de “fazer teatro” é comumente associado à falsidade e fingimento no comportamento de uma pessoa. É desconhecida da maioria das pessoas, entretanto, que existe na pesquisa em teatro uma forte corrente de pensamento que aponta para a sinceridade como gerador de credibilidade do ator em cena. Tais estudos verificam essa capacidade de honestidade consigo e com o outro no ator como fator fundamental na criação da verdade da cena teatral.
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